sábado, 23 de junho de 2007

Histórias...


Parece que está a pegar moda contar histórias por aqui. Também eu entro na onda.
Histórias de amor, quem as não viveu no EASB? Era a idade em que as hormonas, essas safadas, começam a despertar, e mesmo em Ansião, no recato forçado do Externato, vigiado e imposto pela Sra Maria José e depois pela Sra Maria da Sarzedela, a natureza fazia das suas…
No nosso pequeno mundo, como em qualquer outra escola, vivia-se o delicioso ambiente das paixões, dos olhares, uns tímidos, alguns mais atrevidos, todos eles, porém, absolutamente impregnados da ingenuidade própria da adolescência.
Os amores! Também eu os lá vivi, claro! Mas não pensem que é sobre eles a história que hoje trago à lembrança de alguns.
Corria o ano de 72/73, e, naquela sala que muitos consideravam a sala das torturas, ao cimo das escadas à direita, uma catraia de bata azul transpirava, colada ao quadro, pau de giz na mão, tentando desesperadamente que o milagre se desse e do céu caísse a resposta que o professor lhe pedia.
Os minutos sucediam-se, pesados e dolorosos. Que diabo! Se o castigo estava garantido, porquê prolongar a agonia? Tome lá as mãos, s’tor, saque lá da régua, descarregue aqui e deixe-me ir chorar mansinho a minha total ignorância sobre a matéria!
Qual quê! O castigo caíu bem mais pesado que umas tantas reguadas. Para espanto e total desânimo da catraia, a D. Noémia (assim chamávamos à palmatória, lembram-se?) não actuou. Em vez dela, uma folha de papel A4, que ainda hoje se me afigura descomunalmente enorme, assustadora, foi colada nas minhas costas, e com ela tive que aguentar todo o dia, para minha total humilhação: “A Nídia não sabe a propriedade comutativa da multiplicação”.
Acho que foi nesse dia que decidi que não queria saber nem daquela nem de qualquer outra propriedade de coisa nenhuma, e resolvi estudar Francês…
Nota da Administração do blog: para quem visita pela primeira vez este espaço, aconselha-se a leitura atenta do histórico. O TEU nome pode andar por aí, nos mais recônditos comentários...

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